sexta-feira, 15 de junho de 2012
sábado, 4 de fevereiro de 2012
No sopro de vida, a vida, enfim
- É difícil, né?
- Muito, mas tenha fé.
A pergunta foi feita por um homem de mais ou menos 60 anos. Confesso, nunca havia visto por ali aquele senhor de olhar apreensivo e frases curtas. Eram assim pois eram interrompidas por um choro quase copioso.
Eu já estava habituado à cena. Eram muitas as pessoas que me olhavam e pediam força com o olhar. A recíproca era verdadeira nos primeiros dias em que estive naquele lugar. Sala acanhada, que recebia 15 pessoas em cada horário de visita. Dois bancos de madeira acomodavam apenas seis delas. Certa vez, no curto espaço entre os assentos, um grupo, de mãos dadas, orou em mais uma manifestação de fé nas mais diversas religiões.
A rotina era essa há quase 10 dias: hospital, corredores com macas, escadas com odor de éter e, por fim, a sala pequena repleta de olhares apreensivos. Era preciso ter fé. A frase de Mahatma Gandhi em uma das portas de acesso à UTI confortava e evocava. Fé e força já estavam também incorporadas àquela rotina.
Eu ainda estava sentado em um dos bancos de madeira. Esperava pelos 10 minutos diários ao lado dela. Força recarregada às custas de uma breve caminhada até a maternidade, que, cheia de vida, ajudava a renovar o estoque. Pela fresta, procurava os bebês de Pariquera-Açu. Procurava olhares mais alegres. Quase sempre os achava. Ali, naquele hospital, também existia vida. Vida nova. Com fé e força, vida renascida.
Renasça. Era sempre esse o pedido: renasça, pois há milhares de pessoas te esperando. Renasça, pois você só pode ir embora quando estiver bem velhinha. Não é você que gosta tanto deles? Pois então, seja uma um dia. Seja uma velhinha bem bonita daqui uns 60 anos. Continue assim: forte e cheia de vida. Faça 23, está logo ali.
Tirei o avental, fiz um agradecimento aos enfermeiros, passei pela porta com a frase de Gandhi e retornei à sala que antecedia a UTI de Marias, Antônios e Josés. Naqueles 10 dias, UTI de Juliano, de Edelina, de Carlos, de Daliane e dela.
Eu tive fé. E ela, renascida, teve vida. Tem vida e chegará aos 23, aos 37, aos 49, aos 60, aos 70, aos 80, aos 90 anos. Para tornar-se, assim, uma velhinha bem bonita. A mais bonita. Não será difícil, basta manter o sorriso no rosto. Basta continuar linda. A mais linda. Basta ser quem você é.
- Muito, mas tenha fé.
A pergunta foi feita por um homem de mais ou menos 60 anos. Confesso, nunca havia visto por ali aquele senhor de olhar apreensivo e frases curtas. Eram assim pois eram interrompidas por um choro quase copioso.
Eu já estava habituado à cena. Eram muitas as pessoas que me olhavam e pediam força com o olhar. A recíproca era verdadeira nos primeiros dias em que estive naquele lugar. Sala acanhada, que recebia 15 pessoas em cada horário de visita. Dois bancos de madeira acomodavam apenas seis delas. Certa vez, no curto espaço entre os assentos, um grupo, de mãos dadas, orou em mais uma manifestação de fé nas mais diversas religiões.
A rotina era essa há quase 10 dias: hospital, corredores com macas, escadas com odor de éter e, por fim, a sala pequena repleta de olhares apreensivos. Era preciso ter fé. A frase de Mahatma Gandhi em uma das portas de acesso à UTI confortava e evocava. Fé e força já estavam também incorporadas àquela rotina.
Eu ainda estava sentado em um dos bancos de madeira. Esperava pelos 10 minutos diários ao lado dela. Força recarregada às custas de uma breve caminhada até a maternidade, que, cheia de vida, ajudava a renovar o estoque. Pela fresta, procurava os bebês de Pariquera-Açu. Procurava olhares mais alegres. Quase sempre os achava. Ali, naquele hospital, também existia vida. Vida nova. Com fé e força, vida renascida.
Renasça. Era sempre esse o pedido: renasça, pois há milhares de pessoas te esperando. Renasça, pois você só pode ir embora quando estiver bem velhinha. Não é você que gosta tanto deles? Pois então, seja uma um dia. Seja uma velhinha bem bonita daqui uns 60 anos. Continue assim: forte e cheia de vida. Faça 23, está logo ali.
Tirei o avental, fiz um agradecimento aos enfermeiros, passei pela porta com a frase de Gandhi e retornei à sala que antecedia a UTI de Marias, Antônios e Josés. Naqueles 10 dias, UTI de Juliano, de Edelina, de Carlos, de Daliane e dela.
Eu tive fé. E ela, renascida, teve vida. Tem vida e chegará aos 23, aos 37, aos 49, aos 60, aos 70, aos 80, aos 90 anos. Para tornar-se, assim, uma velhinha bem bonita. A mais bonita. Não será difícil, basta manter o sorriso no rosto. Basta continuar linda. A mais linda. Basta ser quem você é.
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