- Tchau.
- Se cuida, até um dia - disse baixinho, ao pé de ouvido.
Era o primeiro abraço em pouco mais de três anos. Deixado para o último momento em que se viram, um desperdício. Não se sabia mesmo ao certo quando voltariam a se olhar. Virou as costas e caminhou até a porta que dava acesso à sala de embarque. Parou, inclinou o corpo e guardou a imagem na memória. Esperou até o último segundo, até a figura do seu pai sumir em meio às pessoas no saguão.
Mais uma despedida. Já eram tantas até ali. Foi preciso aprender a conviver com elas e tentar esquecer a mais dolorosa, quando não se teve mais a chance de ouvir novamente os conselhos do avô. Quando deixou de existir o olhar nos olhos claros e vivos por 76 anos. Apenas 76.
O abraço do aeroporto, contudo, aquele primeiro, teve prosseguimento em São Paulo, muito tempo depois. Despedida, reencontro. Como se o hiato nunca tivesse tido consciência. Sorte poder reencontrá-lo. Agradecera exatamente como havia feito com a mãe, porque também era um privilégio voltar a tê-la por perto.
E foram mais tantas outras despedidas. Recorrentes, corriqueiras, vivas no dia-a-dia. Seja qual for, das mais impossíveis de se passar por cima àquelas superadas em poucos dias. Há convivência, há cumplicidade. Não existem mais. Há amizade, há amor e de repente não existem mais. Como se as histórias pudessem mesmo ser apagadas da mente.
No metrô lotado. Na rua, sem qualquer pretensão. Uma visita rápida depois de tanto tempo. Um reencontro apressado, talvez o pontapé inicial do novo hiato.
- Que bom te rever.
segunda-feira, 24 de junho de 2013
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