8 de setembro de 1991: GP de Monza, na Itália.
Ayrton Senna da Silva lutava pelo terceiro título mundial.
Eu, um pequenino moleque, assistira ao treino oficial no sábado, dia 7. A companhia reticente do meu irmão era parte da estratégia pró-Senna (em outras palavras, supersticiosidade). Chegara então a corrida.
Dez para às nove meu antigo rádio relógio marrom despertou e, então, de pijama e com o travesseiro a tiracolo, corremos para a tv. A energia elétrica, vital para o funcionamento da mesma, se fez inimiga e fez com que os pequenos fãs não pudessem ver a corrida.
Mas a avidez era maior. Com a maior coragem desse mundo, acordamos o dono do Monza vermelho ano 86- placa NM-5642 que estava parado na garagem do nosso sobrado. Para espanto geral daquela casa da zona oeste paulistana, meu pai topara e rapidamente usara o Monza vermelho como provedor de energia.
Assistimos a corrida no banco da frente do carro, com a minúscula televisão da cozinha. Ayrton, que largara na pole naquele dia, não venceu a corrida, porém, eu nunca me esqueci do dia que assisti ao Gp de Monza no Monza vermelho.
Só um detalhe: a bateria do carro partiu dessa para melhor depois da corrida e meu pai precisou comprar outra nova. Lembro-me de suas palavras: "Olha o que seu Ayrton Senna fez", disse ele categoricamente.
Mas para um moleque de nove anos isso não importava, Ayrton era quase tri.
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
quinta-feira, 30 de julho de 2009
Eterno saudosismo
ABRE PARÊNTESES.......Eu sempre soube do meu culto ao passado. Sempre souberam dele. Sou chato, daqueles que fazem um paralelo quase desmedido do presente com tempos remotos. Mesmo que eu não tenha vivido nada - são ínfimos 27 anos - teimo em insistir no passado. Do tempo em que a seleção brasileira jogava com 2 zagueiros, 3 meias e 5 no ataque (vide Copa de 50). Do tempo em que todo time tinha um craque de bola e era fácil encher o Morumba com mais de 100 mil pessoas. Do tempo em que o Bangu faturava o campeonato carioca - o último em 66 - e os juventinos atrapalhavam a vida dos grandes de São Paulo. Do tempo que cruzava-se a Marginal em 20 minutos ou em que o Rock nacional era pródigo com a sociedade. Do tempo em que jornalista não precisava de diploma e ninguém fazia alarde para essa irrelevante medida. Do tempo em que muito mais cidadãos sujavam os dedos com os jornais impressos. Do tempo em que eu jogava botão e não Winning Eleven versão 5.6 Turbo. Sim, não me acanho em dizer. A modernidade e a globalizacão, veneradas e bem quistas por boa parte do mundo, são descartáveis para mim - apenas abro exceções, como nesse momento. Elas dimunem a distância cultural e geográfica, porém aumentam a distância psicológica. O mercado exige profissionais conceituados e expelem pessoas enlatadas - adequadas somente àquilo que se pede. É necessário fluência em três, quatro idiomas, enquanto a língua portuguesa é assassinada. Súditos e vassalos, reverenciem a competição. Moldem-se à sociedade. Tratem as pessoas com inimizade. Façam amigos pensando no próximo emprego. Criem uma teia de contatos. Façam parte dessa fétida hipocrisia. Nunca se sabe quando o sistema vos engolirá. E eu, pobre servo apocalíptico, continuo a reverenciar o passado......FECHA PARÊNTESES.
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